Preparação de motores e motos no Brasil já não é nenhuma novidade. Há muitos anos modificações são feitas visando aumento de desempenho, principalmente na linha de baixa cilindrada, já que os custos que envolvem esse trabalho, são muito menores que em motos de alta cilindrada e carros.

 

Influência dos motores de competição na infância

Lembro de quando ainda criança, ir ao Autódromo aqui em Cascavel, quando havia corrida de motos, levado pelo meu irmão ou meus tios, e entrar nos boxes, ver o trabalho das equipes, dos pilotos passando informações aos mecânicos, da correria que era quando acontecia alguma quebra ou queda. Era fascinante esse clima de competição, o cheiro da gasolina podium, as motos sendo lavadas e polidas, os mínimos detalhes que o regulamento não restringia que fossem modificados, sendo minuciosamente lapidados pelos preparadores, literalmente tirando leite de pedra (apesar de ter visto muita malandragem sendo feita para burlar regulamento…). Participar, nem que seja apenas de espectador atento, ali próximo onde o show começa, em todo trabalho que envolve uma prova, nos faz entender o que realmente esses preparadores mais antigos pensam a respeito de preparação de motores e motos como um todo. Quando você ver um preparador experiente, com cabelos grisalhos falando que você estragou a sua CG ao colocar um pistão do kit 220 nela, acredite, ele tem suas razões. Para eles, a essência da preparação não está em dobrar sua cilindrada, e sim em quão perto de dobrar a potência você está sem alterar a cilindrada.

Crescimento da Preparação de motor nos últimos anos

Passado alguns anos desses episódios da minha infância, vejo o número, que na época era reduzido, de profissionais da área, aumentando ano após ano. Nas ruas, inúmeros proprietários dos mais variados modelos de baixa cilindrada, buscam aumento de potência, para diversas utilizações possíveis.

A preparação e posterior alteração do motor, segue caminhos distintos quando o assunto é rua ou pista. Numa delas o seu uso limita bastante o orçamento, a durabilidade extensa tem que ser levada em conta, o consumo não pode ser exageradamente alto, a dirigibilidade não pode jamais ser prejudicada, ou seja, marcha lenta estável, baixa rotação sem prejuízos etc., motor e funcionamento sempre lisos em toda faixa de rotação. Já nas pistas, dependendo da modalidade é claro, o que importa é o motor ter o melhor desempenho possível naquele trajeto, em conjunto com toda estrutura da moto e o piloto. Em algumas categorias, os motores precisam passar por revisão criteriosa a cada prova, para evitar transtornos durante a corrida, algumas peças têm baixa vida útil, devendo ser substituídas por horas de uso, ou seja, motor trabalha muito próximo a seu limite o tempo todo.

Preparação de Rua X Preparação para Competições

 Preparação de Rua X Preparação Para Competições

  • Motores utilizados no dia a dia são diferentes por vários aspectos, e sua preparação segue, na maioria das vezes, uma linha de alteração simples, com preparação básica de cabeçote, sem alteração no diâmetro de válvula, aumento de cilindrada e um comando que consiga elevar as rotações, numa tentativa de equilibrar o conjunto do motor, aqui o objetivo é aumentar o desempenho para melhorar as condições de uso sem comprometer drasticamente a vida útil.
  • Quando se fala em competição, a técnica a ser seguida muda completamente, onde o cabeçote é o responsável pela rotação de melhor eficiência, e é projetado e alterado em conjunto com a cilindrada, para atingir valores de rpm já estipulados antes mesmo do início da desmontagem do motor. Resta ao comando, ser fabricado de acordo com o cabeçote, para elevar potência. Todo conjunto móvel do motor é estudado no projeto, mas a alma de um motor de alta potência, será sempre o conjunto cabeçote e comando. Aqui o objetivo é extração máxima de desempenho com confiabilidade para suportar o uso a que são destinados.
  • Ao analisar motores de alta performance, desde superbikes de 1000cc , a carros de competição, será notado algo bastante diferente do que estamos acostumados a ver. Por exemplo, os comandos de válvulas tem geralmente duração inferior a 250°, mesmo em motores que alcançam mais de 12.000 rpm. Conjunto, regido pelo cabeçote, nos casos onde potência é extraída através de estudos, nada é tão simples, e tudo fica em perfeita harmonia.
  • A partir dessas diferenças de construção, entendemos alguns dos motivos de tamanha diferença entre motores de pista, projetados por um corpo de engenheiros dentro da fábrica, e um motor preparado para rua, com alterações mais sutis. É preciso sempre estudar aplicação, o uso que será feito do motor, para só então tomar a decisão do que será alterado e de fato iniciar um projeto dando a devida atenção à capacidade de investimento, responsável pelas diretrizes na escolha dos componentes.

…Quer saber por onde começar um projeto de Preparação de motor? Veja nosso próximo artigo…